CNM/CUT realiza oficina sobre IA para dirigentes e comunicadores sindicais
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) realizou, na quarta-feira (29), mais uma edição do Encontro do Coletivo Nacional de Comunicação. A atividade reuniu dirigentes, jornalistas, comunicadores e profissionais da área para uma formação sobre o uso da inteligência artificial na produção de conteúdo sindical, tendo como foco o Gemini Notebook, plataforma desenvolvida pelo Google.
A iniciativa teve como objetivo apresentar aplicações práticas da ferramenta para a rotina das entidades sindicais. Durante a oficina, os participantes conheceram recursos capazes de transformar atas, convenções coletivas, cartilhas, estudos, livros e outros documentos em materiais para sites, redes sociais, apresentações, podcasts, infográficos e vídeos, contribuindo para tornar a sua rotina de trabalho e estudo mais ágil e acessível.
Comunicação em transformação
Ao abrir o encontro, o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, destacou que o movimento sindical precisa acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas para continuar dialogando com a classe trabalhadora.
“A comunicação se revoluciona o tempo todo. Se não buscarmos aperfeiçoamento, corremos o risco de ficar para trás. As empresas já utilizam essas tecnologias e nós também precisamos aprender a usá-las para fortalecer nossa comunicação e publicizar melhor tudo o que fazemos”, afirmou.
Segundo o presidente, a CNM/CUT tem a responsabilidade de estimular esse processo de atualização permanente entre dirigentes e comunicadores. “Tudo o que a gente aprende precisa ser reproduzido. Hoje temos condições de compartilhar conhecimento por meio de vídeos, fotos e diferentes formatos digitais. Precisamos utilizar essas ferramentas para mostrar melhor o trabalho que realizamos e ampliar nosso diálogo com os trabalhadores”, ressaltou.
Tecnologia e formação
A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, enfatizou que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano da sociedade e que a formação sindical precisa acompanhar essa transformação sem abrir mão da análise crítica e do compromisso com a organização coletiva.
“Assim como aprendemos a negociar, organizar uma assembleia, interpretar uma convenção coletiva ou utilizar as redes sociais, agora também precisamos aprender a utilizar a inteligência artificial. Não para substituir o conhecimento, mas para potencializá-lo”, disse.
Em sua opinião, a tecnologia pode contribuir em diversas frentes da atividade sindical, desde a leitura e interpretação de documentos até a produção de materiais de comunicação e formação. “A tecnologia muda. Os princípios da nossa luta permanecem. Por isso, a formação sindical precisa caminhar junto com a inovação, para que sejam os trabalhadores e suas organizações que dominem essas ferramentas, e não o contrário”, afirmou.
Ferramenta na prática
Responsável pela formação, o professor Adriano Rodrigues, da Faculdade Cásper Líbero, apresentou o funcionamento do Gemini Notebook e demonstrou como a plataforma pode ser utilizada para organizar informações e transformar documentos técnicos em conteúdos voltados à comunicação institucional.
“O conhecimento precisa ser distribuído, aberto e compartilhado. Quando a gente se dispõe a ensinar, assume uma responsabilidade muito grande, porque do outro lado existem pessoas esperando desenvolver uma nova habilidade. É isso que buscamos fazer nesta oficina”, afirmou.
Durante a atividade, Adriano mostrou que a ferramenta permite trabalhar sobre documentos enviados pelo próprio usuário, reduzindo o risco de produzir respostas desconectadas do conteúdo original. Segundo ele, é possível utilizar atas, cartilhas, convenções coletivas, livros, estudos, PDFs e outros arquivos como base para criar materiais.
“Às vezes não temos tempo de ler tudo. Então utilizo a ferramenta para criar podcasts, apresentações em vídeo, infográficos e outros conteúdos que me ajudam a compreender determinado assunto. Ela também pode ser utilizada para transformar documentos em materiais de comunicação visual”, explicou.
Disputa nas redes
O secretário de Comunicação da CNM/CUT, Heraldo Silva, destacou que o domínio das novas ferramentas também é estratégico diante da disputa de narrativas no ambiente digital, especialmente em um cenário de intensificação do debate político.
“Estamos vivendo um momento de intensa disputa de ideias e, com as próximas eleições, esse cenário tende a se intensificar. É fundamental que a gente domine cada vez melhor as redes sociais para fazer esse enfrentamento também no ambiente digital. Temos muita experiência na porta de fábrica e nas ruas. Agora precisamos fortalecer essa atuação também nas redes”, afirmou.
Ao reunir dirigentes sindicais, profissionais da comunicação e participantes de diferentes ramos, o Encontro do Coletivo Nacional de Comunicação reforçou o compromisso da CNM/CUT com a qualificação permanente de seus dirigentes e comunicadores.
“Mais do que apresentar uma nova ferramenta, a atividade evidenciou que a inteligência artificial pode se tornar uma aliada da comunicação sindical quando utilizada de forma crítica, responsável e alinhada aos interesses da classe trabalhadora”, encerrou Heraldo.
Fonte: CNM/CUT