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06.04.21   |   Internacional

Plano de Biden prevê US$ 2 tri em investimentos públicos, taxar ricos e grandes empresas

White House

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Plano prevê recursos públicos em infraestrutura e energia limpa. Para reanimar mercado de trabalho, Biden pretende reverter aperto fiscal de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou um plano que prevê US$ 2,3 trilhões em investimentos do governo federal em infraestrutura. O objetivo é intensificar a atividade econômica por meio do aumento dos investimentos públicos. O plano de Biden prevê reforma de 32 mil quilômetros de estradas e 10 mil pontes, além de aeroportos, canais de navegação, ferrovias e portos. Além de conter um ousado projeto ambiental. Os recursos serão aplicados em grandes obras nas áreas de transporte e saneamento básico, por exemplo, como forma de estimular a criação de novos postos de trabalho. “Empregos verdes” também devem surgir a partir de investimentos em energia limpa, com o objetivo de conter o aquecimento global. O plano pretende ainda fortalecer a educação pública do país.

“É um investimento único em uma geração nos Estados Unidos. É o maior investimento americano em empregos desde a Segunda Guerra Mundial”, disse Biden sobre o plano, nesta quarta-feira (31), durante discurso em Pittsburgh, Pensilvânia. Para financiar o ambicioso plano, Biden pretende elevar impostos de milionários e grandes corporações, subindo impostos de empresas de 21% para 28%. Além disso, propôs aumentar de 13% para 21% os tributos devidos pelas empresas norte-americanas sobre ganhos obtidos no exterior. Ele também pretende eliminar a isenção de impostos para empresas para ganhos iniciais obtidos fora do país. E abolir as preferências fiscais para produtores de combustíveis fósseis.

O presidente estadunidense citou a Amazon como exemplo de grandes companhias que utilizam “brechas legais para não pagar um único centavo em imposto de renda federal”. “Não quero puni-las, mas isso é simplesmente errado… Vou acabar com isso”, disse o democrata.

Detalhes
De acordo com o anúncio do presidente, serão US$ 621 bilhões em verbas para reformas de estradas, pontes, redes de transporte público, veículos elétricos, portos e aeroportos. Outros US$ 100 bilhões irão para modernizar a rede elétrica do país, oferecendo créditos fiscais para geração e armazenamento de energia limpa. Além disso, US$ 213 bilhões serão investidos para fazer casas mais eficientes no consumo de energia. Mais US$ 100 bilhões serão aplicados na eficiência energética das escolas públicas.

O plano prevê, ainda, US$ 180 bilhões em fundos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento em áreas como inteligência artificial e biotecnologia, destinadas a melhorar a competitividade com a China. Outros US$ 300 bilhões em verbas do governo serão dedicados a subsídios a indústrias fabris, incluindo ajuda a produtores de chips.

Se aprovado pelo Congresso, o plano deve ser executado ao longo de oito anos. Enquanto que os aumentos de impostos para as empresas serão escalonados ao longo dos próximos quinze anos. Uma nova fase com investimentos voltados para “cuidados de crianças, saúde e educação”, deve ser anunciada nas próximas semanas, totalizando investimentos de US$ 3 trilhões. Dessa vez, os recursos viriam do aumento de impostos sobre renda, propriedade e ganhos de capital dos indivíduos mais ricos.

Significados do plano de Biden
A retomada dos investimentos públicos, que seriam os maiores desde a década de 1960, é uma forma de competir com o modelo de desenvolvimento econômico chinês. Também pretende demonstrar que a democracia ocidental ainda pode funcionar como modelo para as sociedades capitalistas, apesar do avanço de da extrema-direita nos últimos anos.

“Há muitos autocratas no mundo que acreditam que vão vencer porque as democracias não conseguem mais chegar a consensos, enquanto as autocracias o fazem”, disse Biden. “Esta é uma batalha entre a utilidade das democracias no século XXI e as autocracias. E nós vamos provar que a democracia funciona”, acrescentou.

Contudo, apesar dos números suntuosos, os montantes do plano estadunidense ficam aquém dos investimentos mobilizados pelos chineses na chamada Nova Rota da Seda. Lançado em 2013, com investimentos estimados entre US$ 4 e US$ 8 trilhões, os chineses realizam projetos de infraestrutura que se estendem por países da Ásia Central, Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e Leste da Europa.

Repercussões
Para a American Federation of Labor and Congress of Industrial Organizations (AFL-CIO), maior central operária dos Estados Unidos, o plano anunciado vai no caminho certo. “Biden compreende que precisamos crescer, e esse anúncio nos aproxima um pouco de entregar as mudanças agressivas de que precisamos para reconstruir nosso país”, afirmou a organização pelo Twitter. Já a deputada democrata de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez afirmou que os US$ 2 trilhões anunciados até o momento são insuficientes para as mudanças necessárias ruma a uma economia mais sustentável.

Por outro lado, parlamentares do Partido Republicano devem fazer oposição feroz ao programa. Assim como uma parcela dos empresários, eles alegam que os aumentos de impostos devem enfraquecer a retomada da economia.

Fonte: Rede Brasil Atual

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