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30.10.18   |   Eleições 2018

Bolsonaro ameaça Folha, PT e Psol e quer aprovar reforma da Previdência de Temer

Reprodução/TV Record

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Em série de entrevistas ontem (29), presidente eleito defendeu liberação o porte de armas para defender "a vida e a "liberdade" e voltou a falar em "kit gay" para justificar declarações homofóbicas

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), atacou a imprensa – em especial o jornal Folha de S.Paulo, que acusa de espalhar fake news contra ele –, ameaçou a cúpula do PT e do Psol e afirmou que pretende colaborar para aprovar "pelo menos uma parte" da reforma da Previdência do governo Temer ainda antes de tomar posse. Em entrevistas às TVs Record, SBT e Globo nesta segunda-feira (29), ele também voltou a insistir no inexistente "kit gay" para justificar declarações homofóbicas, disse que pretende nomear o juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça ou para o Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeu liberar o acesso da população a armas de fogo como forma de, segundo o político, reduzir a criminalidade.

"Nós estamos em guerra", afirmou o novo presidente para justificar a flexibilização do porte de armas. Ele defendeu "mexer na lei" para reduzir a idade mínima de 25 para 21 anos para o "porte definitivo" de armas de fogo. Atualmente, até antes dos 25 o porte tem que ser renovado periodicamente.

"Um caminhoneiro dorme no posto de gasolina e quando acorda não tem mais nenhum estepe. Então, você casar isso com o excludente de ilicitude, que eu digo que é em defesa da vida própria e de terceiros, do patrimônio próprio e de terceiros. Pode ter certeza que a bandidagem vai diminuir. Porque um caminhoneiro armado, ao reagir a alguém que estiver furtando ou roubando o seu estepe, ele vai dar o exemplo para a bandidagem. Seguinte: atirou, o elemento está abatido, em legítima defesa. Ele vai responder, mas não tem punição. Isso vai diminuir a violência no Brasil com toda certeza", afirmou Bolsonaro, que afirmou que o acesso às armas "além de garantir a vida de uma pessoa, garante a liberdade de um povo".

Pelo Twitter, a candidata derrotada Marina Silva (Rede) rebateu a proposta. "A entrevista do #BolsonaroNaRecord é preocupante sob muitos aspectos, mas nenhum é tão preocupante quanto a sua ideia fixa em querer induzir a sociedade a acreditar que poderá resolver o grave problema da violência fazendo justiça com as próprias mãos", declarou.

Imprensa
Bolsonaro se disse "totalmente favorável à liberdade de imprensa", mas não poupou ataques à Folha, que fez reportagens denunciando uma funcionária fantasma do gabinete do deputado que vendia açaí no interior do Rio de Janeiro, além do esquema de caixa 2 montado por empresários pró-Bolsonaro que financiaram a disseminação em massa de fake news contra o seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad, e o PT.

"Ações como essa, por parte de uma imprensa, que mesmo a gente mostrando a injustiça que cometeu com uma senhora (referindo-se à funcionária fantasma), ao não voltar atrás, logicamente que eu não posso considerar essa imprensa digna. Não quero que ela acabe. Mas, no que depender de mim, da propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal."

A Folha respondeu ao presidente, reafirmando as denúncias de que, como deputado federal, Bolsonaro usou dinheiro da Câmara para pagar o salário da assessora Walderice Santos da Conceição, que vendia açaí na praia e prestava serviços particulares a ele em Angra dos Reis (RJ), onde tem casa de veraneio. A funcionária foi localizada naquela cidade e, dias depois teve até sua exoneração publicada no Diário Oficial.

"Por si só, esse jornal se acabou", afirmou o novo presidente, sobre a Folha. "Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da Folha de S.Paulo, inclusive a última matéria, onde (sic) eu teria contratado empresas fora do Brasil, via empresários aqui para espalhar mentiras sobre o PT. Uma grande mentira, mais uma fake news do jornal Folha de S.Paulo, lamentavelmente."

Ameaça a opositores
O presidente eleito não retirou declarações agressivas contra adversários políticos proferidas em discurso transmitido para apoiadores na Avenida Paulista, após o primeiro turno das eleições, em que prometeu banir, prendendo ou exilando o que chamou de "bandidos vermelhos".

"Logicamente estava me referindo à cúpula do PT e à cúpula do Psol. O próprio Boulos havia dito que invadiria minha casa na Barra da Tijuca por não ser produtiva. Vimos o candidato do PT derrotado em vídeo dizendo que a crise no Brasil só acabaria quando Lula fosse eleito presidente. Então, foi um momento de desabafo e em um discurso acalorado", afirmou o presidente eleito, que disse ainda que não ofendeu a honra de ninguém.

Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e candidato a presidente pelo Psol, também respondeu às declarações, pelo Twitter. E afirmou que "o Brasil é maior do que Bolsonaro", acrescentando que, com ele, a democracia corre risco.

"Bolsonaro atacou o MTST e o MST agora na Record. O presidente eleito manteve o discurso de ódio do candidato. É importante que saiba que não se acaba com movimento social com decreto ou violência. Isso não resolve a falta de terra e teto para milhões. Daí nascem os movimentos", rebateu Boulos.

Reforma da Previdência
Bolsonaro afirmou que estará em Brasília na semana que vem para buscar "junto ao atual governo" aprovar projetos que já estão tramitando no Congresso, em especial a proposta de reforma da Previdência.

"A nossa reforma é um pouco diferente da do Temer, mas nós vamos procurar o governo e procurar salvar alguma coisa dessa reforma. Nós temos que ver o que pode ser aprovado, o que passa pela Câmara e pelo Senado. Agora, nós não podemos é não aprovar nada no corrente ano. Ela é bem-vinda e será feita do que depender de nós com muito critério e com muita responsabilidade."

O governo Temer tentou aprovar a reforma da Previdência ao longo de 2017, mas recuou diante da resistência dos movimentos sociais e centrais sindicais. Em fevereiro, com a decretação da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, a proposta de reforma foi enterrada de vez, pois a ação de intervenção da União em qualquer estado da federação impede a aprovação de qualquer proposta de emenda à Constituição (PEC), como era o caso das alterações pretendidas no regime de aposentadorias, que agora o presidente eleito pretende ressuscitar.

Homofobia e "kit gay"
Bolsonaro reconheceu que ganhou o "rótulo de homofóbico". "Na verdade, eu fui contra um kit, feito pelo então ministro da Educação, (Fernando) Haddad, em 2009 para 2010, que chegaria nas escolas um conjunto de livros, cartazes e filmes onde passariam crianças se acariciando e meninos se beijando. Não poderia concordar com isso. E a forma como eu ataquei essa questão é que foi um tanto quanto agressiva."

O presidente voltou a ignorar, como já foi comprovado que, jamais houve kit gay, que Haddad jamais fez a proposta e, menos ainda, nunca foi distribuído nas escolas. Na verdade, o que houve foi uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da Câmara – que avaliava a criação de material didático voltado para o combate à homofobia. Devido à polêmica que o próprio Bolsonaro ajudou a criar, a discussão foi suspensa. Em mais uma de suas fake news, Bolsonaro atribuiu a disputa "em razão do 9º Seminário LGBT Infantil na Comissão de Direitos Humanos na Câmara", que também nunca existiu.

Moro
Às três emissoras, Bolsonaro afirmou que pretende convidar o juiz Sérgio Moro para ser seu ministro da Justiça ou indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal (STF), assim que o próximo ministro da Corte tiver que se aposentar. A escolha do cargo ficaria a cargo do próprio juiz: "Na qual melhor ele achasse que poderia trabalhar para o Brasil". O presidente eleito classificou o juiz responsável pela Operação Lava Jato como "um homem com trabalho exemplar no combate à corrupção" e "um símbolo". "A corrupção tem que ser banida do Brasil, ninguém suporta mais conviver com essa prática tão nefasta", bradou o militar reservista.

 

Fonte: Rede Brasil Atual

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